quinta-feira, 29 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009

Mulheres de chão
Vejo um pouco de mulher
nas sementes de algodão
ou nas vagens de algarobas,
plantando doçuras e colhendo rosas
como quem matura o coração.
Maria Maria
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Homenagem ao Dia do Professor
15 de outubro
Queridos alunos e educadores,
Hoje, venho dizer obrigada:
pela oportunidade de ser mestra,
pela alegria de receber um sorriso,
pela dose generosa de aconchego,
pela vontade de aprender para ensinar,
pela mensagem de amor no meu dia,
pela força que tenho de lutar,
pela vocação do fazer por amor,
pela crença de que tudo vai mudar.
Creio que nada está perdido
e que a Educação sempre será a fonte inesgotável
de luz que clareia a consciência da humanidade.
Maria Maria
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Chegada
Quando a aranha pousa,
sobre o interruptor da sala,
sei que a poesia chegará.
O toque
- pousado sutilmente –
acenderá os meus versos
e eu serei a mais poderosa mosca
a escrever um poema.
Maria Maria
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sábado, 19 de setembro de 2009

Pacto
Fizemos um pacto, meu amado!
Rompi as amarras
e revelei mentiras.
As verdades já são translúcidas.
Desarrumei todas as estruturas
e estou cumprindo a minha parte
no plano:
há dias, não durmo
de baby doll.
Maria Maria
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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ausência
A ausência daquele verso noturno
fez-me órfã
do poema.
Mas, logo ao sol
-descido na Serra do Chapéu-
correu ao meu encontro:
filho pródigo.
Maria Maria
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terça-feira, 8 de setembro de 2009
Democracia
O legado grego de vovô
se guarda há milênios,
no porão da clareira.
Dorme na raiz
do meu sangue-índia:
nos cajus,
nas andorinhas,
nos girassóis.
O legado grego de vovô
descansa lívido
na Serra de Sant’Ana
nas terras do Seridó.
Maria Maria
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sábado, 5 de setembro de 2009

Seca fria
Caiu um corisco
pontiagudo.
Furou o chão,
matou meu grão
de poesia.
Estou extinta.
em seca fria.
Maria Maria
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domingo, 30 de agosto de 2009

Oito dísticos para a minha terra
Queria agora uma tarde de chuva no Seridó
com seu aconchego de mãe verdadeira.
Queria agora construir castelos
na areia permeável do terreiro de casa.
Queria botar água no vaso de louça
para as horas sertanejas.
Queria o lençol de retalhos coloridos
cheirando a pedras do quaradouro.
Queria sentir o redemoinho na entrada da casa
para eu dizer: “cruz, cruz, cruz!”.
Queria um sonho com melaço de açúcar
para adoçar os meus confusos sentimentos.
Queria construir um tempo de memórias
com antíteses disfarçadas em ventanias.
Queria alimentar meus sonhos verdes
Para receber, tranqüila, a maturidade.
Maria Maria
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ambiguidade
A chuva é ambígua:
entristece-me sonolenta
ao mesmo tempo em que resgata
imagens de ventanias passadas.
Maria Maria
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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Nau demiúrgica
E a nau demiúrgica
aportou silenciosa:
mão escrevendo a mata,
olhar taciturno a voar,
voz cantando ao longe,
canto do sabiá,
raiz do cajueiro,
farol a iluminar.
Natal cobriu o Brasil
com as águas virgens
do mar.
Maria Maria
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O amor
O amor é mesmo um ninho,
uma pluma de puá,
um lençol de tafetá,
a morada de um passarinho.
Maria Maria
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domingo, 16 de agosto de 2009

À luz de candeeiros
As tardes de um ontem longe
acendem as minhas janelas
à luz de candeeiros
e trazem lembranças sinestésicas:
o cheiro de uma tarde de chuva,
o aroma do café coado no pano,
o sabor da broa de leite.
Em que baú de mim
guardei a rústica parede da infância?
em que tijolo salitre se escondem
meus insólitos segredos?
Maria Maria
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Meninice
No quintal da minha juventude
vô vaqueiro entoava um canto:
__ Beba água de poesia,
menina!
Tome um gole, todo dia
como forma de oração!
Parecia religião
o que vô vaqueiro dizia:
__ Ser fiel à poesia
é dar vida à emoção.
E aí, entre o canto e a voz,
a palavra exalava o tom azul
do meu começo.
Maria Maria
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sábado, 8 de agosto de 2009

Com os olhos do dia
Celebro a terra
e batizo
- com a água da chuva -
todo o meu amor.
E com o giro do sol
e a sutileza da lua
dou-me
inteira,
Lúcida
e fênica,
como quem renasce,
das cinzas.
Maria Maria
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009

Poema dedicado ao meu pai
Luiz e a todos os pais,
cuja homenagem acontecerá
nesse mês de agosto.
Presente
Papai um dia
me disse:
“Filha, toma a vida
de presente!”
E eu,
displicente,
peguei-a pela
mão.
Papai estendeu-se
mais ainda:
“Filha, toma as rédeas
da situação!”
E eu, que às vezes fico
por um fio,
peguei docemente os desafios
que papai pôs em minhas mãos.
Maria Maria
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domingo, 26 de julho de 2009
Saudações, amados poetas!
Venho agradecer a todos vocês e,
especialmente, a nossa amiga Jeanne Araújo,
uma poetisa completa das terras seridoenses,
pela escolha do Espartilho de Eme
como Blog de Ouro.
Recomendo a vocês a visita ao blog
da Jeanne Araújo.
www.jeannearaujo.blogspot.com
Agora, vamos às regrinhas:
1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 4 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.
Os meus indicados são:
www.grandeponto.blogspot.com
www.museudetudo.blogspot.com
www.teiadetextos.blogspot.com
www.eraparasercancao.blogspot.com
Beijos dourados de poesia
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sábado, 25 de julho de 2009

Menino do sol
Quando você chegou,
menino do sol,
eu desfiz
minhas sequencias diárias
e renovei:
a toalha da mesa,
as flores de plástico,
as cortinas de chitão
e
acendi o fogo
com um pavio de algodão.
Maria Maria
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terça-feira, 21 de julho de 2009

Velhice
A Luiz Carlos Guimarães
Desejo uma velhice festiva:
o girassol girassolando para a pedra
do Navio,
uma vagem de algaroba alimentando
novilhas,
o Seridó poetizando pelas ocres margens
do rio,
o pássaro Craúna fugindo
das armadilhas.
um barril de vinho transbordando
poesia,
um doce de leite cozinhando
no alguidar,
um verso rimado pela minha
teimosia,
um pote antigo para a história
preservar.
E eu recitando um lindo poema de Guimarães.
Maria Maria
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